Ericeira
Sábado, 30 de Julho de 2011
Acordei cedo, aflita com comichão motivada por umas valentes picadas de melga. Pequeno-almoço rápido, café, o primeiro cigarro (1) logo a seguir. Ainda não passaram duas horas desde que me levantei, entre o ligar do computador, volta na blogesfera e as notícias da manhã fumei mais dois (2) e agora, porque isto de criar páginas no blog e ter de mexer na pouca criatividade que tenho puxa a mais um (1), cá está a arder entre os meus dedos. Constato que só resta mais um no maço e não me vai apetecer sair. O Vincent ainda dorme e eu vou escovar os dentes e vou para ao pé dele que o sol hoje ainda não despertou e as previsões não são animadoras.
Almoço, a respeitar a gastrite, o último cigarro do maço que, distraída, acendi pelo filtro – F%#%-se, C&#(/%0. O Vincent resolveu e eu já fumei (1) e entretanto vou mas é ali ao café do fundo da rua e já volto, que uma sessão de home cinema pede mais alguns.
Ele foi uma passagem rápida na vila, ele foi uma tentativa de home cinema (adormeci), ele foi Playstation e chatzinho com o Miúdo lá das Áfricas, ele foi ferrar no sofá até à hora do jantar, ele foram, até voltar para a caminha, oito cigarros (8) sem saber muito bem porquê nem se me souberam bem ou não.
Ora, shift = a este mais este mais este e mais este e mais aquele, total da soma: 13.
Ericeira
Domingo, 31 de Julho de 2011
Dormi que me fartei, o normal, a minha família diz que eu pareço um koala e é para o lado que eu ainda durmo melhor. O Vincent também. O sol hoje está a dar um arzinho da sua graça e estamos aqui só à espera que aqueça mais um bocadinho para descermos até à praia, ocuparmos o nosso spot meio escondido do resto, escolher a musiquinha que deve ser thievery corporation, aposto, partilhar os mesmos phones , ler um bocadinho e respirar o que só junto ao mar se consegue. Bem, mas isto é suposto ser um relato diário da quantidade de cigarros que eu aspiro ao longo do dia. Aqui vai, ou melhor, já foram dois (2) e souberam-me bem. Ponto.
O spot na praia estava ocupado, a bimbalhada do Domingo (falo eu qúe já me sinto cá da terra e não acho já gracinha nenhuma que me ocupem o lugar na praia), musiquinha também não ouve. Leitura e conversa e dez cigarrinhos (10). Acabei com o que tinha e Mr. Vincent não proporcionou a compra. Vai daí um (1) antes do jantar que andava lá perdido em casa e ao serão mais dois (2) enroladinhos com muito amor e carinho.
Ora, shift = a este mais este mais este e mais este e mais aquele, total da soma: 14.
Arrabaldes de Lisboa
Segunda-Feira, 1 de Agosto de 2011
Mais uma segunda-feira, mais uma semana de trabalho. Dormi bem. Em casa cheirou a café e a torradas, o tranquilo pequeno-almoço do Vincent enquanto eu passarinhei à sua volta «lá estou eu a olhar para a minha caminha a pensar na hora do regresso a casa». Saímos juntos mas eu fiz uma paragem. Tabaco comprado na papelaria de quase todos os dias, em frente à escola do Miúdo. A pastelaria encerrada para férias, pãozinho fresquinho é mentira. A rua deserta, sem professores nem criancinhas. Tenho sono, tanto que passei por um colega de há muitos anos, que habitualmente até cumprimento com dois beijos e juro, mas juro que não o vi e tive de acatar a advertência, pois claro. «desculpa, desculpa, a sério,, não te vi» «sim, eu percebi, vens ainda no teu mundinho, completamente». Completamente . Está a chover e começou Agosto. Fumei o cigarro do caminho e o do café já na empresa (2). Coloquei este cartão postal (ver abaixo), que o senhor doutor me deu, no vidro à entrada do meu gabinete e comuniquei às minhas queridas colegas que, quando regressar de férias, trago um adesivo no braço e já não serei mais frequentadora da sala de fumo. Rejubilaram, até a que se esfumassa toda comigo de vez em quando. É bom vermos os outros felizes por nós, mesmo quando comunicamos uma coisa com ar de pesar, como se contribuíssemos para a felicidade dos outros sem saber bem porquê. Já fumei mais um (1), também sem saber bem porquê. E mais um (1), E mais um (1), Lunch time e mais um (1) e até zarpar para casa mais (3). Entre umas compras, carro na oficina, jantar, conversinha da boa e mimos, pimba, mais oito (8) no bucho. Xixi, cama.
Ora, shift = a este mais este mais este e mais os outros todos, total da soma: 17.
Arrabaldes de Lisboa
Terça-feira, 2 de Agosto de 2011
Sobraram três cigarros do maço de ontem. Impedida de fumar no caminho num carro que não é meu, que esse ficou na oficina para manutenção da sua saudinha, que ainda tem muito quilómetro para fazer – oxalá. Nem me atrevi a pedir uma paragem para comprar, muito menos me passou pela cabeça pedir permissão para fumar. Eu gosto muito do meu Vincent mas é bem disposto – chiça – e gosto ainda mais que ele cheire bem. Não se fuma naquele carro, ponto. Conclusão: restou-me ter de gerir três (3) cigarros durante três horas e meia e consegui com sucesso e até não me custou. Não gramo cravar tabaco, acho que é chato, apesar de não me importar nada que me cravem.
Quando regressar de férias ofereço a minha máquina de encher tubinhos de papel com tabaco de enrolar, à minha colega ali do gabinete do lado, que agradece. E se já me comprometi vou cumprir, obviamente. É mais uma mentalização, desfazer-me do que já não irei precisar.
Almoço, reposição de stock. Um (1) por que sim, outro (1) mais porque também e às tantas, mais dois (3), esses sim, em momento de pura tertúlia que eu sou uma gaja que até gosta de conviver quando a companhia agrada. E agora estou aqui de volta disto, que me tem dado mais que fazer e acendi o último da noite (1). Restam sete no maço o que, fazendo as contas, parece que entre a chegada a casa, o jantar e uma chamada para Cabo Verde foram sete (7).
Ora, shift = àqueles todos, total da soma: 13
Arrabaldes de Lisboa
Quarta-feira, 3 de Agosto de 2011
Bom dia. Que dificuldade. Não me apetecia nada hoje. Que dois, eu e este Vincent para levantar os rabos da cama. Que dor. Férias, fériasssssssssss, please.
Três (3), os dos hábitos criados. Depois o resto que ficou no maço e depois, olha querido Diário, já estou a perder um bocadinho a paciência com isto, sinceramente e a partir de hoje não vai ser fácil controlar o número de cigarros porque voltei, outra vez, à minha máquina de encher. Nã, chouriços não, tás-me a gozar oh quê?! Tu-bi-nhos, tubinhos em forma de cigarro. Portanto, isto é assim: não sei, não faço a mais pálida ideia do que fumei entre a chegada a casa e a caminha. Temos pena.
Arrabaldes de Lisboa
Quinta-feira, 4 de Agosto de 2011
Já estamos a contar os dias para zarpar até às praias selvagens e maravilhosas da nossa costa. Ah pois é! Antes contar dias para o ócio do que cigarrinhos, não te parece?
Ontem à noite estive a encher tubinhos de empreitada, freneticamente enchendo tubinhos que só visto. Vieram hoje na bagagem, sim que eu saio de casa carregada que nem uma mula, portátil num ombro, mala no outro e mais a frutinha e os iogurtinhos e as bolachinhas. Uma caixinha contendo vinte cigarros, um maço portanto. Dois (2) já foram, olaré! E foram mais dezaseis (16) até agora. O último está aqui a arder. O Vincent está ali no sofá e não tarda nada está a fazer uma birra. Caminha!
Arrabaldes de Lisboa
Sexta-feira, 5 de Agosto de 2011
Sexta-feira, horário de Verão, saída às 15h30, destino: Ericeira. Ohhhyehhh!
Já me fui abastecer porque eu já sei como é. Eu não posso conduzir o carro do meu Vincent, não porque ele não deixe ou não confie, não porque seja um topo de gama daqueles que os donos não consentem, sequer, um toquezinho com uma unha pintada de escarlate, nada disso. As regras impõem que eu não possa conduzir aquele bicho de que eu gosto tanto, onde tenho sido muito feliz e tal e tal. E depois fico à mercê de ah e tal não dá jeito nenhum passar na bomba de gasolina agora, ah e tal e coisa o café está fechado.
Uma caixa com 100 Filtered Cigarette Tubes e uma embalagem de Amber Leaf, 50g, com a inscrição “O seu médico ou o seu farmacêutico pode ajudá-lo a deixar de fumar”. Olha, obrigadinha. É por causa do médico que isto existe e quanto a farmacêuticos, pronto, prefiro não falar que vivo rodeada deles e até é gente que fuma.
Renhéu nhéu nhéu , quatro (4) durante a manhã e mais um (1) a seguir ao almoço e depois perdi o fio à meada e já não volto aqui hoje que tenho ali muito filme para ver e isto está a pedir uma mantinha, está está. A Ericeira é mesmo só para alguns. Beijinhos.
Arrabaldes de Lisboa
Segunda-feira, 8 de Agosto de 2011
Não há registos quanto a cigarrinhos no fim-de-semana que já acabou, buuuáááaááá. Eu explico. Esta coisa de preparar eu os meus cigarros é uma coisa difícil de controlar. Eu sei que os posso contar e a ideia até seria essa mas não há cu.
Sábado sei que não fumei muito. Estava um nevoeiro daqueles lá na terra que mal se via o palácio do vizinho da frente, portanto aquilo foi borregar e borregar, uma sessão de home cinema com direito a pipocas e tudo e a seguir foi um dormir profundamente . O que eu adoro adormecer de óculos e acordar sem saber deles, porque entretanto o Vincent, num gesto da maior ternura, acredito, mos tira antes que eu me embrulhe toda neles. Jantarinho em casa dos Avós L e G, com a Mãe M e a tia P, mais a sobrinha C. Gosto muito. Muito mesmo. Ser tratada por neta outra vez é muito bom. E ouvir as histórias da família e ver fotografias da infância do Vincent. Muito bom. Regresso a casa e eu juro, mas juro, que foi por causa do vinho que não me aguentei muito até apagar outra vez. Resumo: se estive acordada umas seis horas no Sábado, se calhar até foi muito, e como ainda não fumo a dormir, o consumo foi reduzido.
Domingo, what else? Praia, claro. Um sol daqueles mesmo bons. Leitura em dia, entre informação e literatura. Fui fumando mas sinto que nada em exagero. Acho, sinceramente, que estou a reduzir as doses.
Hoje a mesma tortura do costume para sair da caminha. Trouxe os tubos contados. Catorze. Quatro (4) foram ainda de manhã, alguns ao longo do dia e já está quase mas é na hora de ir ferrar outra vez e estou a fumar o décimo quarto. Bela média. Adeuzinho!
Arrabaldes de Lisboa
Segunda-feira, 9 de Agosto de 2011
Não sei, não faço a mínima ideia e honestamente também não quero saber. Fumei o que me apeteceu ou o que precisei. E só vim aqui por acaso e muito por outros motivos, como por exemplo, publicar o meu Award que acabei de receber. Foi um dia igual aos outros portanto devo ter fumado sensivelmente a mesma coisa. Melhor, o final de tarde terá direito a um post mas não neste Diário e o final da noite foi para tratar de vinte unhas, são vinte, que por acaso até ficaram muito bem e que por acaso até me impediram de esfumaçar e às tantas é quase uma e meia da madrugada. Estou a ficar um bocado saturada disto. Parece que em Setembro mudo de vida.
Arrabaldes de Lisboa
Quarta-feira, 31 de Agosto de 2011
Querido Diário,
Tive mais que fazer. Percebeste, não percebeste? Pois! Da Ericeira a Vale dos Homens, da Zambujeira à Carrapateira, da Arrifana ao Farol. Dos mojitos às imperiais, do vinho branco às corona. Do Amber Leaf ao JPS. Do vex algarve free wifi a uma semana sem net. Foi mais ou menos isto. Hoje voltei ao doutor. Dia D marcado para doze deste mês, o dia de regresso ao trabalho. Até lá vou fumando, depois conto com a paciência do meu Vincent e dos demais. Ah e estou proibida de ir ao ginásio o que pode ser um problema. Bem que me podia ter agarrado a isto para dizer “nem pensar que ainda engordo” mas corria o risco de ouvir “ai por favor, então e se engordares uns quilinhos não tem mal nenhum” e eu não quero já começar a enervar-me com estas coisas.
Olha, e se calhar é já um adeuzinho, que eu ainda estou de férias e de rabo alçado a caminho da Ericeira, sim?!
Beijinho, beijinho.
P.S.: Prometo que, se tiver pachorra, crio um Diário do ex-fumador.



[...] Diário do Fumador [...]
hehehehehehe tens que escrever. mais e mais. tens essa encantadora capacidade de fazer rir. hehehehehehe mais….. belíssima ideia!
[...] Diário do Fumador [...]
[...] Diário do Fumador [...]
[...] Diário do Fumador [...]
Só tu, mas é que só mesmo tu! Delicioso, este diário…
já ouviste falar em cigarros electrónicos? Se quiseres apresento-te um tipo especializado no assunto. Só não entendo é como é que um pianista daquela craveira se torna um expert numa matéria como essa…. mas tu bem sabes que a vida tem destes mistérios! Ah, e os cigarrinhos electrónicos têm sabores a istos e aquilos…
Já ouvi sim… a ideia é mesmo deixar de fumar querida amiga, foi por isso que fui gramar o “sotor”.